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quarta-feira, 25 de novembro de 2020

COLUNISTA — Roque Roberto P. Carvalho NOVEMBRADA

 

Uma vantagem dos longevos frente aos modernos,  se destaca aos fatos de ter sido contemporâneo da História brasileira,  guardada nos escaninhos da memória.

É o que acontece com o título dado à esta crônica e que mostra como estava o Brasil no dia 11 de novembro de 1955, portanto 65 anos já passados. É possível acreditar-se que em apenas uma semana o Brasil tivesse três Presidentes empenhados em ocupar a única cadeira reservada ao Chefe do Executivo nacional ? Pois é, foi assim que aconteceu…

Getúlio Vargas (PTB) suicidou-se em 24/8/1954 pressionado que fora pelo Manifesto dos Generais exigindo a renúncia do Presidente para o restabelecimento da ordem no País.

O Vice de Getúlio João Café Filho, toma posse no Cargo e nomeia para Ministro da Guerra o General Henrique B.D. Teixeira Lott.  Café Filho era solidário ao sistema político idealizado pelo Jornal Tribuna da Imprensa, contrários às candidaturas de Juscelino Kubitschek e João Goulart  que contavam  com o apoio de Luiz Carlos Prestes do PCB e, este apoio,  gerou uma violenta reação dos militares. O PDC com apoio da UDN lançava o nome do General Juarez Távora nome muito bem aceito pelas Forças Armadas e para Vice o civil Milton Campos.

Acontece que JK e Jango são eleitos em 3/10/55. O descontentamento foi materializado por Carlos Lacerda que era o proprietário do Jornal Tribuna da Imprensa, lançando de imediato a impugnação  dos eleitos uma vez que poderia ter contado com o apoio dos chamados  Comunistas integrantes do PCB de Luiz Carlos Prestes.

O Ministro da Guerra dizia que a Constituição  Federal deveria ser cumprida dando posse aos eleitos. Não obstante esse entendimento, o Alto Comando das Força Armadas insistiam no impedimento dos eleitos. No dia 1° de novembro instalou-se o radicalismo.

Discursos de altas patentes do Exército impugnavam o resultado das eleições dentre eles o   Coronel Jurandir de Bizarria Mamede que foi um que de viva voz argumentou frases contrárias à posse dos eleitos.

continuação >>>>>>>>>>>>>   jornalbotunoticias.com.br

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terça-feira, 15 de setembro de 2020

URGENTE - ELEIÇÕES NO GATIL HOMENAGEM DO AUTOR AOS VETERINÁRIOS 9 DE SETEMBRO DIA DO VETERINÁRIO

 COLUNISTA — Roque Roberto Pires de Carvalho

ELEIÇÕES NO GATIL HOMENAGEM DO AUTOR AOS VETERINÁRIOS 9 DE SETEMBRO DIA DO VETERINÁRIO

Século XXI ! – ninguém ignora isso, claro, claro…

Para La Fontaine, os atores em suas fábulas são na maioria animais que se comportam como seres humanos e representam os hábitos e os vícios que lhes são próprios.

Os animais ridicularizam os defeitos humanos, apontando a natureza como o exemplo a seguir na conquista da felicidade. Toda esta introdução é para dar vida a esta despretensiosa crônica que é tratada nesta oportunidade, como singela homenagem ao DIA DO VETERINÁRIO(A) em 9/setembro – Médicas, Médicos e abnegados Enfermeiras(os) como Agentes de saúde.

Os gatos e gatas de hoje não falam como aqueles animais criados por Esopo e por La Fontaine. Os animais de hoje usam dos novos recursos de linguagem: Libra seria uma ?, em primeiro lugar o silêncio, posteriormente gestos corporais, o abrir e fechar dos olhos e sinais de alerta ao movimentar as orelhas; se necessário e em eventual perigo, não titubeiam em arranhar quando em defesa própria.

Desde as eleições de 9 de setembro do ano passado o ambiente no gatil era de insatisfação na comunidade em que vivem. Pelos cantos ronronam baixinho reclamando dos eleitos e das condições políticas e sociais impostas por seus proprietários e/ou possuidores.       CONTINUAÇÃO AQUI        >>>>>>>>>>>>>>

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

VITAL BRASIL MINEIRO DA CAMPANHA EM BOTUCATU

COLUNISTA — Roque Roberto Pires de Carvalho — C O N T O
O notável médico, cientista, imunologista e pesquisador biomédico não nasceu em Botucatu, entretanto foi nesta cidade que nos anos de 1895 até 1897 desenvolveu nos sítios e fazendas  suas pesquisas para encontrar o soro antiofídico-específico, para o combate ao veneno das cobras peçonhentas que são encontradas nesta região, dos tipos:
coral verdadeira, jararaca, cascavel, urutu-cruzeiro e surucucu,   gerando para a medicina uma tecnologia inédita.- Sua passagem e permanência em Botucatu deveu-se à um convite que lhe foi feito em 1895  pelo Farmacêutico José Arnaud Paulino Pires;  
Vital Brasil instalou-se com sua esposa no Hotel Brasil defronte à atual Praça do Bosque; posteriormente teve residência à Rua Cesário Alvim, atual João Passos onde teve seu consultório médico; posteriormente instalou-se ao lado de uma escola na Rua Riachuelo n° 190, dando início às suas atividades.  
Hoje é a Rua Amando de Barros n° 817 onde um Bar e Lanchonete “Pirâmides” exibe um “banner” em homenagem ao notável Cientista.  Vital Brasil já conhecia as técnicas desenvolvidas pelos cientistas franceses Albert Calmette e Camille Guérin com o antídoto aplicado às serpentes Naja-Indiana; tal antídoto não se adequava aos tipos de cobras brasileiras fato que o levou aos estudos e que, até hoje, após cento e vinte anos permanecem válidos.
-Em Botucatu, Vital Brasil foi médico operador e parteiro, com especialidade em doenças de Senhoras e crianças; trabalhou com o Dr. Costa Leite na construção da Misericórdia Botucatuense, tendo sido seu Secretário e encarregado de  escrever e registrar as atas.
– Para suas experiências o Dr. Vital Brasil visitava os sítios e fazendas, ensinando os lavradores capturar e colocar em caixas de madeira com segurança as mais variadas cobras encontradas.Para entendimento de suas instruções escritas de como capturar e armazenar as cobras, Vital Brasil criou uma Escola para as crianças de manhã e para adultos à noite. Visava com isso suprir a necessidade de escolarização dado o grande número de analfabetos.
O Prefeito de Botucatu Renato de Oliveira Barros sanciona em 21.10.1949 a Lei que dá o nome de Avenida Dr. Vital Brasil a antiga Rua São Carlos na Vila São Lúcio.
O Projeto de Lei foi do Vereador Dr. Antonio Delmanto e a inauguração aconteceu em 1° de  maio de  1964 com a presença de familiares do homenageado.
Nesse mesmo ano o Vereador Laurindo Izidoro Jaqueta obteve aprovação de seu projeto de lei instituindo o dia 28 de abril (data de nascimento do médico) como sendo o “Dia de Vital Brasil” no  Município.Em 1897 Vital Brasil passa a trabalhar com os Cientistas Adolfo Lutz, Oswaldo Cruz e Emilio Ribas em pesquisas no combate à peste bubônica, à varíola e a febre amarela e em 1903 é reconhecido mundialmente como descobridor do soro antiofídico-específico e antiofídicos polivalentes para outros animais peçonhentos como aranhas e escorpiões.
Em 1899 torna-se um dos fundadores do Instituto Butantan de em 1919 funda em Niteroi o Instituto Vital Brasil.
Em 1965 o Governo de Minas Gerais dá seu nome à Rodovia que vai de Juiz de Fora até Poços de Caldas. Em 2003  através de Lei Federal Vital Brasil é considerado “Herói da  Pátria” e em 2014 seu busto é colocado no “Museu Nacional de História Natural” na cidade de Paris/França ao lado de outros Eminentes Cientistas.
Como curiosidades podemos dizer que Vital Brasil, chegando à Botucatu, dada sua facilidade de comunicação com as pessoas, frequentava festas, fazia e escrevia discursos e para alegrar mais,  tocava clarineta. Assim também, seu pai Manuel dos Santos Pereira Jr não colocava seu sobrenome  ao nome dos filhos.
Colocava sim o nome e o nome da  cidade  de nascimento e no  caso, Vital Brasil  Mineiro da Campanha, Fileta Camponesa de Caldas, Eunice Peregrina de Caldas, Judith Parasita de Caldas.
– Como registro histórico podemos citar que em Botucatu nasceu sua primeira filha e que recebeu o nome de Alvarina, não seguindo as tradições toponímicas aos familiares.
– Falar de Vital Brasil fora das datas de nascimento e de falecimento do notável Cientista,  tem por escopo não deixar se perder no tempo a memória de personagem tão Ilustre que, pesquisando em Botucatu, em apenas dois anos gravou seu nome em descoberta científica mundialmente reconhecida.
A descoberta do soro antiofídico-específico para cobras brasileiras.
                                            Roque Roberto Pires de Carvalho
                                            Email:roquerpcarvalho@gmail.com
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

COLUNISTA Roque Roberto Pires de Carvalho C O N T O

COLUNISTA  Roque Roberto Pires de Carvalho  C O N T O
                                     HISTÓRIAS DE AMOR
     Desde muito tempo ele estava só. Era seu modo de dizer e de viver.  

Em realidade era possuidor de uma maravilhosa família – filhos maiores, capazes, inteligentes e úteis à sociedade contemporânea; irmão e irmãs, tios e sobrinhos em cidades distantes integravam o clã de ancestrais comuns,  portanto não estava literalmente só. 

Vivia de seus proventos conseguidos na compulsória, da sua profissão e dos biscates aleatórios para uma sobrevivência digna e desfrutava da amizade de seus antigos alunos, dos seus pares e das pessoas de relacionamentos eventuais. 

Sentia-se deslocado  para as coisas do amor e por esta razão recolhia-se à biblioteca para conversar com os mais diversos autores no campo da filosofia, da pintura, da música, da religião, da poesia tanto na  literatura brasileira e também  estrangeira. Para essas conversas sempre arrumava um jeito de aproximar-se dos luminares do saber. 

Apreciando a paz daquele ambiente e após tantas horas juntos, sorvendo de uma água pura e cristalina do conhecimento,  olhando para a direita de sua mesa deparou-se com  um piano emudecido desde longa data.

 Sobre esse piano Schuvartzmann um pequeno busto de um dos maiores nomes da composição de músicas para piano chamou a sua atenção  - o busto era de Fréderic  Chopin (1810-1849) notável compositor polonês, filho de pai francês e como pianista, o virtuose predileto dos salões aristocráticos da Europa. 

Conta a história da música que Chopin viveu apenas 39 anos e no auge da sua carreira artística como compositor renomado envolveu-se com a Escritora e romancista francesa George Sand, pseudônimo de Amandine Aurore Lucie Dupin, Baronesa Dudevant (1804-1876). 

Escrevia para sustentar-se, sob o pseudônimo que a celebrizou. Quando ela escreveu a “História de Minha Vida” revelou para o mundo a sua infância, seu casamento, suas leituras de Byron, Rousseau e Chateubriand, seus conhecimentos e seus casos sentimentais, onde incluiu  Fréderic Chopin falecido precocemente vitimado por uma tuberculose. 

George Sand registrou também para a posteridade seu amor tempestuoso com Alfred de Musset – nome artístico de Louis C. Alfred de Musset (1810-1857), poeta francês, também falecido muito moço aos 47 anos de idade, esgotado pelo excesso de uma vida boêmia e poeticamente romântica. 

O relacionamento amoroso deste poeta com a escritora valeu à literatura francesa algumas obras-primas, destacando-se entre elas as quatro Noites, publicadas entre 1835 e 1836.Chopin legou para o mundo dentre tantas composições, algumas que se tornaram conhecidas como Tristesse op.10, Poloneise, op 93 e Noturno, op 2 Encerrada a leitura, examinada a   obra do Compositor, da Romancista e do Poeta, colheu para as suas reflexões,  tardias lembranças da existência de perigosas ciladas preparadas por mãos invisíveis, nas tramas das histórias de amor.

                                                  Roque Roberto Pires de Carvalho
                                                e-mail:roquerpcarvalho@gmail.com                                                                                     

sexta-feira, 24 de julho de 2020

COLUNISTA — Roque Roberto Pires de Carvalho — C O N T O S

  COLUNISTA — Roque Roberto Pires de Carvalho — C O N T O S

NAS ASAS DO VENTO

Era uma noite de sábado, calma, serena e  gostosa; suave aragem inundava aquele ambiente de muita paz. Sozinho em seu quarto e olhando pela fresta do batente via o clarão da lua cheia.
Para sua surpresa eis que entra pela janela aberta da casa grande, sem pedir  licença,  uma flor,  uma  flor branca/leitosa  exalando discreto perfume.
Não era de seu direito identificá-la ou perguntar sua origem. Recolheu a flor em suas mãos e passou a examiná-la. Nunca havia visto flor igual, mas sabia algumas histórias…  a misteriosa  tinha o seu    desabrochar  por volta de vinte e duas horas, sobrevivendo linda, elegante e charmosa até por volta de quatro horas da madrugada, hora do seu recolhimento ditado pela natureza.
A curiosidade para conhecê-la  melhor,  saber a  sua origem e  período  de seu encanto perdurou por algum tempo, sendo que ao indagar de um ou de outro, ouviu pela primeira vez  tratar-se da “flor-de-baile” ou “dama-do-baile” dadas suas aparições noturnas. Quando das indagações,  ele conheceu alguém que iria ajudá-lo na arte de plantar e cultivar flores e esse alguém,  era uma moça tão bonita e vistosa  quanto a flor visitante  daquela noite.
No primeiro encontro com esse alguém falando apenas de flores,  algumas palavras que poderiam ser ditas ficaram no cofre do coração e suas chaves, tão bem guardadas ficaram que desapareceram do olhar. Aquele encontro poderia ser o início de um relacionamento humano bom e duradouro, ou mesmo, efêmero como o vento outonal ou a existência também efêmera daquela flor.
 Acabou sendo o fim sem ter, sequer, começado.  Ele, apesar de muitos anos vividos era tímido, acanhado e por quê não dizer, medroso ! Saber a origem da flor branca/leitosa bastava para ele. Sua opção de estar só não era entendida e nem mesmo compartilhada por circunstantes.
Refletia sempre e entendia que sua vida iria se recompor, ele era muito feliz nas suas múltiplas atividades e se faltava algum colorido, como ouvia dizer alhures, ele acreditava e havia evidências disso sobre esse tão falado,  decantado e  colorido amor; era questão de dar tempo ao tempo. Recebia sempre sugestões  de passeios,  viagens, freqüência aos clubes, restaurantes, arrumar namorada  para um breve  romance ou até mesmo relacionamento de maior duração; tais sugestões, individualmente, mereciam de sua parte uma forte  decomposição das idéias.
Se era para sonhar que esse sonho fosse de olhos abertos. A imparcialidade do grande espelho da sala e a sua visível longevidade não deixavam dúvidas;  entendia não ter o direito de delegar à outrem as preocupações com as quais já se ocupava.
 A lareira com sua boca inútil,  estava  longe de aquecer seu coração e as cinzas ainda visíveis,  remanesciam do  último inverno passado ao lado do  seu   inesquecível, verdadeiro e saudoso  amor. Aquele alguém prestativo, dizendo à ele a origem da flor branca/leitosa, que surgiu do nada,  apenas   nas asas  do vento,  inoculou desejos de há muito tempo não experimentados…
                                     Roque Roberto Pires de Carvalho
                                   E-mail:roquerpcarvalho@gmail.com

domingo, 19 de julho de 2020

SU P L E N T E - COLUNISTA Roque Roberto Pires de Carvalho C O N T O


                           S U P L E N T E
     Nos tempos em que a Escolas, por seus ilustres  e mui Dignos Professores ministravam aulas de Educação Moral e Cívica e Estudo de Problemas Brasileiros (ambas foram extintas há muito tempo...) uma boa carga horária era reservada para falar de cidadania e civismo. 

Em cidadania falava-se da importância do título de eleitor, votar, ser votado, poderes do Estado em suas três esferas (Federal, Estadual e Municipal) e para que o cidadão tivesse interesse em disputar eleições, exercer seu direito cívico deveria, inicialmente, inscrever-se em um Partido Político, regularizar-se perante o Cartório Eleitoral e participar de uma campanha política.  

Mário Anzol era um desses alunos que, participando ativamente dessas aulas, sempre frequente, comprador de livros, dizendo ser descendente  de uma família de políticos,  demonstrava sempre tendências para disputar um cargo eletivo; o Professor dado o manifesto interesse também o incentivava bem como os  demais alunos. 
Não demorou muito e os jornais começaram noticiar que ao final do ano, possivelmente em  outubro ou novembro haveria eleições municipais para os cargos de Prefeito e de Vereador, com  mandatos para quatro anos, se eleitos. 

Pois bem, havia chegado o grande momento para que Mário Anzol, munido de incentivos, sentindo-se jovem e com muita vontade de trabalhar por sua cidade, inscreveu-se em um Partido Político e colocou-se à disposição da sociedade e, se eleito, faria acontecer muitos melhoramentos e lutar pelos interesses de seu povo. 

Terminada sua inscrição como candidato a Vereador, passa pela Câmara Municipal e solicita em sua Secretaria um exemplar da Lei Orgânica do Município e um exemplar do Regimento Interno da Câmara para dedicar-se, agora, aos estudos de toda legislação municipal, ou seja, aquela legislação que ele iria, se eleito, fazer e acontecer em prol da cidade.   

Cumprindo o calendário do Tribunal Regional Eleitoral, as eleições ocorreram normalmente e após apuração dos votos Mário Anzol foi considerado Suplente. Lembrou-se do Professor e de suas aulas de EPB. Havia recebido a explicação de que Suplente é aquele que poderá substituir o titular em qualquer atividade da administração pública e conformou-se com a sua condição de possível substituto,  não regateou elogios a lisura com que transcorreu todo processo eleitoral e fez publicar no jornal meia página de agradecimentos aos seus eleitores, recolhendo-se às suas atividades de balconista de uma superloja. 

Os meses foram passando e ele em todas as horas de folga fazia leitura da Lei Orgânica e do Regimento da Câmara, sentia-se predestinado a ocupar o cargo para o qual havia concorrido, gastando saliva, sorrisos  e santinhos com a publicidade de seu nome. Acontece que após seis meses o titular eleito sofre um AVC, surpreendendo toda a cidade, sua família e seus eleitores. 

O Prefeito decreta luto oficial por três dias; o velório é feito na própria câmara, inúmeros discursos dos pares, todos manifestando consternação. Segue o enterro com o Prefeito e o Presidente da Câmara segurando em uma das alças, prestando assim suas últimas homenagens.   

Tendo certeza das atribuições de Suplente,  Mário Anzol vai ao Presidente da Câmara pede que seja dada sua posse, agora, como titular. Começou a partir desse momento um dos maiores problemas que Mário Anzol desconhecia. 

Teve como resposta haver uma exigência de apresentação da Certidão de Óbito do finado para que a posse fosse efetivada. Anzol argumentava não haver essa necessidade uma vez que tanto o Presidente da Câmara como o Prefeito não desconheciam o fato uma vez que estiveram no velório e carregaram o caixão. 

O diálogo que começou pacífico estava se tornando agressivo uma vez que o argumento maior era de que a prova do óbito só se faz com a respectiva Certidão. 

Diziam mais, que se a prova da vida de faz com a Certidão de Nascimento a prova da morte é assim também e que isso estava na legislação e nos  códigos vigentes. Foi pedido ao suplicante para que aguardasse a chegada da Certidão para só então, assinar o livro de posse. Meditando e pensando, Anzol lembrou-se última visita ao médico, saiu com uma receita e foi até a farmácia. Em lá chegando o balconista disse que tinha o remédio mas na Receita não constava o carimbo do médico.

 Teve que providenciar. Aguardou mais trinta dias e no discurso de posse garantiu que tinha como projeto de trabalho acabar com essa burocracia de exigências de Certidões disso e mais aquilo, reconhecimentos de firma e carimbos nas autenticações mas, se fosse obrigatório, que fosse sem nenhum custo para o cidadão. Parece que até hoje seu projeto não teve, sequer, andamento. 

Pelo que se sabe fora  arquivado. A carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei,  foi mandada com uma chancela no lacre vermelho, com o selo real,  para demonstrar que era verdadeira,  dando-se inicio a burocracia reinante até hoje. E toma carimbo, mais selos, e  mais emolumentos...
                                            Roque Roberto Pires de Carvalho
                                            Email:roquerpcarvalho@gmail.com

sábado, 18 de julho de 2020

CONTOS -- IMPÉRIO DAS GRAVATAS

IMPÉRIO DAS GRAVATAS  
Ano de 1948 na cidade de Lins. Ele, menino de doze anos, com os pais trabalhando no sítio, foi morar com uma tia na cidade para estudar.  Frequentava  o  4° ano no Grupo Escolar “Dom Henrique Cesar Fernandes Mourão.
No dia do recebimento dos Diplomas os meninos, todos, usavam GRAVATINHA borboleta; esta experiência foi marcante  para  toda sua vida profissional. A tia, vez por outra escorregava   algumas  moedas para uma ida à matinê domingueira no Cine São Sebastião e, se sobrasse alguns trocados poderia tomar um sorvetão na Leiteria fronteira ao cinema. Ao final da tarde, zerava os  bolsos  da calça curta.
Ele era um menino estudioso e ambicioso. Sendo aulas matinais ele procurou trabalhar no período da tarde e encontrou na Rua 7 de setembro uma loja de finos artigos masculinos. Conversou  com o proprietário, um libanês de nome Teodoro Risk, pessoa muito simpática que  percebendo no menino interesse em trabalhar, o admitiu para o período vespertino.
Assim como no cinema , foi aberta uma maravilhosa cortina e o deslumbrado menino viu desfilar à sua frente, as maravilhas dos trajes para os adultos. A Loja, muito bonita tinha o nome de “A Elegância”. As camisas eram de cambraia de linho,  sempre com colarinho-branco engomado.
Cuecas e meias Lupo e sapatos nas cores marron e preto, ou preto envernizado, em cromo alemão, da marca  Scatamachia. Gravatas de seda outras de tecidos comuns para combinar com os ternos de linho ou de casimira,  era  um luxo só. Os preços, bem…os preços eram só acessíveis à pequena burguesia ascendente uma vez que  na cidade de Lins o forte da economia era o café e o gado.
Portanto, o menino deslumbrado conheceu, logo no início da vida,  o que era vender produtos para pessoas bem situadas  economicamente.  O menino aprendeu a arrumar as vitrines e ficava encantado olhando para os manequins exibindo ternos, Gravatas e sapatos de ótima qualidade.  A loja, foi uma excelente experiência de vida e ao findar o ano , foi dispensado recebendo  pela primeira vez, uma carta de apresentação,  assinada pelo proprietário, muito  elogiosa pelos bons serviços.  
Terminada a escolarização foi trabalhar em um Banco.   Na época 1950,  os Bancos determinavam que seus funcionários usassem camisas sociais ou de mangas curtas sempre com Gravatas. Para ele não foi novidade, já conhecia há muito tempo! Após cinco anos como Bancário foi convocado para o Exército e lá, após o primeiro ano como soldado raso e cabo arranchado foi promovido à  3° Sargento. 
Quando usava o 5° uniforme, de passeio, era para colocar, obrigatoriamente  camisa e Gravata bege;  Após treze anos como militar, deixa a caserna, muda-se para São Paulo e lá, aprovado em Faculdade de Direito assiste aulas, durante cinco anos, vestido por ternos e  Gravatas. Terminado o Curso, vai para o escritório e passa a frequentar o Fórum. Como sabemos, Advogados só se apresentam em audiências, uniformizados por terno, Gravata e uma pasta  tipo  causídico;  Paralelamente ao escritório e convidado para lecionar em Faculdades, matérias de Direito, novamente ternos e Gravatas.
Aposentado pela compulsória,  é  nomeado para ser o  Coordenador de um Projeto “A OAB VAI À ESCOLA” e nos contatos com Diretores, Professores, Supervisores de Ensino e Colegas de profissão,  tão acostumado que estava com os ternos e Gravatas, e dado ao hábito  assim se apresentava. A partir de 2012, gradativamente foi deixando nos armários todo arsenal dos trajes sociais.
Com menos formalidades,  adotou uma postura mais simples com camisas esporte, tênis, sandálias bermudas, bonés, óculos esportivo. Olhou para o guarda-roupa:  lotado!.  Por decisão própria resolveu  levar ao Asilo vários ternos, sapatos,  camisas sociais, várias dezenas de Gravatas em visível desapego.  Algumas eram alegrinhas, exibiam bichinhos e bonecos da Disneylandia, outras discretas e listradas. No guarda-roupa ainda restaram poucas para possíveis ocasiões onde se exige o social.
 O menino  foi  alcançado pelo Mundo Novo após setenta e dois anos, e há que se conformar com a declarada guerra às Gravatas, elas não entendem o porquê, estão esquecidas, penduradas, uma ao lado da outra esperando a voragem do tempo até a despedida final. Voltando ao título desta crônica, as Gravatas exerceram verdadeiro Império e governo na vida deste subscritor e foi triste, muito triste deixá-las, afinal, aqueceram o  pescoço ao longo de tantos e tantos anos…  Falar de Gravatas é falar de nostalgia, é falar de saudades…
                                                      Roque Roberto Pires de Carvalho
                                                     Email:roquerpcarvalho@gmail.com