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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

COLUNISTA Roque Roberto Pires de Carvalho C O N T O

COLUNISTA  Roque Roberto Pires de Carvalho  C O N T O
                                     HISTÓRIAS DE AMOR
     Desde muito tempo ele estava só. Era seu modo de dizer e de viver.  

Em realidade era possuidor de uma maravilhosa família – filhos maiores, capazes, inteligentes e úteis à sociedade contemporânea; irmão e irmãs, tios e sobrinhos em cidades distantes integravam o clã de ancestrais comuns,  portanto não estava literalmente só. 

Vivia de seus proventos conseguidos na compulsória, da sua profissão e dos biscates aleatórios para uma sobrevivência digna e desfrutava da amizade de seus antigos alunos, dos seus pares e das pessoas de relacionamentos eventuais. 

Sentia-se deslocado  para as coisas do amor e por esta razão recolhia-se à biblioteca para conversar com os mais diversos autores no campo da filosofia, da pintura, da música, da religião, da poesia tanto na  literatura brasileira e também  estrangeira. Para essas conversas sempre arrumava um jeito de aproximar-se dos luminares do saber. 

Apreciando a paz daquele ambiente e após tantas horas juntos, sorvendo de uma água pura e cristalina do conhecimento,  olhando para a direita de sua mesa deparou-se com  um piano emudecido desde longa data.

 Sobre esse piano Schuvartzmann um pequeno busto de um dos maiores nomes da composição de músicas para piano chamou a sua atenção  - o busto era de Fréderic  Chopin (1810-1849) notável compositor polonês, filho de pai francês e como pianista, o virtuose predileto dos salões aristocráticos da Europa. 

Conta a história da música que Chopin viveu apenas 39 anos e no auge da sua carreira artística como compositor renomado envolveu-se com a Escritora e romancista francesa George Sand, pseudônimo de Amandine Aurore Lucie Dupin, Baronesa Dudevant (1804-1876). 

Escrevia para sustentar-se, sob o pseudônimo que a celebrizou. Quando ela escreveu a “História de Minha Vida” revelou para o mundo a sua infância, seu casamento, suas leituras de Byron, Rousseau e Chateubriand, seus conhecimentos e seus casos sentimentais, onde incluiu  Fréderic Chopin falecido precocemente vitimado por uma tuberculose. 

George Sand registrou também para a posteridade seu amor tempestuoso com Alfred de Musset – nome artístico de Louis C. Alfred de Musset (1810-1857), poeta francês, também falecido muito moço aos 47 anos de idade, esgotado pelo excesso de uma vida boêmia e poeticamente romântica. 

O relacionamento amoroso deste poeta com a escritora valeu à literatura francesa algumas obras-primas, destacando-se entre elas as quatro Noites, publicadas entre 1835 e 1836.Chopin legou para o mundo dentre tantas composições, algumas que se tornaram conhecidas como Tristesse op.10, Poloneise, op 93 e Noturno, op 2 Encerrada a leitura, examinada a   obra do Compositor, da Romancista e do Poeta, colheu para as suas reflexões,  tardias lembranças da existência de perigosas ciladas preparadas por mãos invisíveis, nas tramas das histórias de amor.

                                                  Roque Roberto Pires de Carvalho
                                                e-mail:roquerpcarvalho@gmail.com                                                                                     

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