COLUNISTA Roque Roberto Pires de Carvalho C O N T O
HISTÓRIAS
DE AMOR
Em realidade
era possuidor de uma maravilhosa família – filhos maiores, capazes,
inteligentes e úteis à sociedade contemporânea; irmão e irmãs, tios e sobrinhos
em cidades distantes integravam o clã de ancestrais comuns, portanto não estava literalmente só.
Vivia de
seus proventos conseguidos na compulsória, da sua profissão e dos biscates
aleatórios para uma sobrevivência digna e desfrutava da amizade de seus antigos
alunos, dos seus pares e das pessoas de relacionamentos eventuais.
Sentia-se
deslocado para as coisas do amor e por
esta razão recolhia-se à biblioteca para conversar com os mais diversos autores
no campo da filosofia, da pintura, da música, da religião, da poesia tanto na literatura brasileira e também estrangeira. Para essas conversas sempre
arrumava um jeito de aproximar-se dos luminares do saber.
Apreciando a paz
daquele ambiente e após tantas horas juntos, sorvendo de uma água pura e
cristalina do conhecimento, olhando para
a direita de sua mesa deparou-se com um
piano emudecido desde longa data.
Sobre esse piano Schuvartzmann um pequeno
busto de um dos maiores nomes da composição de músicas para piano chamou a sua
atenção - o busto era de Fréderic Chopin (1810-1849) notável compositor polonês,
filho de pai francês e como pianista, o virtuose predileto dos salões
aristocráticos da Europa.
Conta a história da música que Chopin viveu apenas 39
anos e no auge da sua carreira artística como compositor renomado envolveu-se
com a Escritora e romancista francesa George Sand, pseudônimo de Amandine
Aurore Lucie Dupin, Baronesa Dudevant (1804-1876).
Escrevia para sustentar-se,
sob o pseudônimo que a celebrizou. Quando ela escreveu a “História de Minha
Vida” revelou para o mundo a sua infância, seu casamento, suas leituras de
Byron, Rousseau e Chateubriand, seus conhecimentos e seus casos sentimentais,
onde incluiu Fréderic Chopin falecido
precocemente vitimado por uma tuberculose.
George Sand registrou também para a
posteridade seu amor tempestuoso com Alfred de Musset – nome artístico de Louis
C. Alfred de Musset (1810-1857), poeta francês, também falecido muito moço aos
47 anos de idade, esgotado pelo excesso de uma vida boêmia e poeticamente
romântica.
O relacionamento amoroso deste poeta com a escritora valeu à
literatura francesa algumas obras-primas, destacando-se entre elas as quatro
Noites, publicadas entre 1835 e 1836.Chopin legou para o mundo dentre tantas
composições, algumas que se tornaram conhecidas como Tristesse op.10,
Poloneise, op 93 e Noturno, op 2 Encerrada a leitura, examinada a obra do Compositor, da Romancista e do Poeta,
colheu para as suas reflexões, tardias
lembranças da existência de perigosas ciladas preparadas por mãos invisíveis,
nas tramas das histórias de amor.
Roque Roberto Pires de Carvalho
e-mail:roquerpcarvalho@gmail.com

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