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sexta-feira, 5 de junho de 2020

Joice Hasselmann (PSL-SP) foi acusada por dois ex-funcionários de orientar seu gabinete a criar perfis falsos em redes sociais

Segundo ex-funcionários, a deputada exigia a criação de perfis falsos, montagens em vídeos e divulgação de fake news, tudo pago com verba de gabinete. Material teria sido usado na CPMI das Fake News e no inquérito ilegal de Alexandre de Moraes

 A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) foi acusada por dois ex-funcionários  de orientar seu gabinete a criar perfis falsos em redes sociais e divulgar fake news contra a família Bolsonaro e as deputadas Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF). Divulgada pela CNN Brasil, a entrevista com dois ex-funcionários afirma que Joice orientava seus funcionários na montagem de vídeos falsos, na criação de narrativas sem fundamento e na criação de perfis falsos em redes sociais. “Serviços que eram prestados para a Joice eram sempre montagem de vídeos e criação de narrativas, uma notícia falsa”, afirmou um ex-funcionário que não quis se identificar. Nas redes sociais, o caso já está sendo chamado de "Gabinete de Peppa News" — numa referência ao apelido que apoiadores do governo deram à parlamentar.
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Os ex-funcionários também mostraram prints e mensagens de áudio que comprovariam o envolvimento direto da deputada na criação de perfis falsos e na divulgação de fake news. Assessores da deputada, inclusive, estariam gerando números falsos de CPF para ativar chips telefônicos utilizados para perfis fakes. O uso de documentos falsos pode ser tipificado como falsidade ideológica quando visa “prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante”.

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Ainda segundo a denúncia feita pela CNN, Joice criava perfis com o objetivo de atacar opositores que a criticavam por ter “virado as costas ao Presidente da República”. A denúncia também envolve o uso de verba de gabinete, o bom e velho dinheiro público, para pagamentos de funcionários que deviam criar perfis e divulgar fake news, inclusive emitindo notas fiscais pelo serviço: “Então, a Câmara paga por esses perfis falsos”.

As denúncias de Joice Hasselmann na CPMI das Fake News serviram de embasamento para o inquérito ilegal 4781 relatado por Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal. A deputada Carla Zambelli, inclusive, afirmou hoje que prestou depoimento à Polícia Federal no inquérito 4781 e precisou explicar um print denunciado por Joice Hasselmann.

No melhor estilo dos Processos de Moscou, o “inquérito das fake news” pode acabar numa dupla farsa: conduzido ilegalmente, o inquérito que investiga fake news é baseado em denúncias falsas. Sobre o material usado por Joice na CPMI, um ex-funcionário afirma: “Todo material que foi usado na CPMI das Fake News foi criado pela equipe dela".
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Sendo fiel ao velho e conhecido preceito leninista “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”, Joice Hasselmann precisa agora se defender das mesmas acusações que fez contra Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Por ordem de Alexandre de Moraes, ativistas, jornalistas, empresários e até humoristas tiveram suas casas invadidas e seus sigilos bancários e fiscais quebrados. Nenhum crime ou qualquer das acusações de Joice foi confirmada. O que acontecerá no gabinete de Joice Hasselmann se o mesmo procedimento for adotado com ela e seus funcionários? Vale lembrar que o STF é o foro competente para deputados federais. Joice Hasselmann será investigada no inquérito 4781?  ... Douglas Pelegati                                                                  

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