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quinta-feira, 21 de maio de 2020

Células do sangue podem indicar presença do câncer de mama

Estudo com participação de pesquisador brasileiro e apoio da Fapesp identificou alterações que podem ser usadas como 'termômetro' da doença.

Segundo os autores, a descoberta pode contribuir, no futuro, para identificar tumores agressivos precocemente e para aprimorar intervenções personalizadas em imunoterapia. “É provável que um tipo de célula do sangue conhecido como monócito possa ser usado como ‘termômetro’ da doença. Pelo menos, foi o que verificamos em pacientes com câncer de mama”, disse Ramos à Agência Fapesp.
Segundo o pesquisador, os monócitos são um tipo de leucócito, ou glóbulo branco, e têm a função de patrulhar o organismo e identificar potenciais ameaças, como vírus, bactérias e células tumorais. Eles são produzidos na medula óssea e, após algumas horas na circulação, seguem para outros tecidos, em que se transformam em macrófagos (as células que “ingerem” e destroem os corpos estranhos ao organismo) ou em células dentríticas (responsáveis por levar informações sobre o antígeno a ser combatido às estruturas do sistema imune responsáveis pela produção de anticorpos específicos).
Reprodução/Ag. Fapesp - Clinical &Translational Immunology
No estudo, os pesquisadores coletaram monócitos do sangue de pacientes com câncer de mama e tentaram diferenciá-los, no laboratório, em macrófagos pró-inflamatórios – aqueles responsáveis por sinalizar ao sistema imune a necessidade de mandar reforços ao local do tumor. As células foram coletadas em 44 amostras de sangue provenientes de pacientes com câncer de mama atendidos na França e no Hospital Pérola Byington, no Brasil – além de outras 25 amostras de indivíduos sadios que serviram de controle.
“Usamos um coquetel de citocinas [moléculas capazes de modular o sistema imune] para tentar induzir os monócitos a se diferenciarem em macrófagos pró-inflamatórios. Esse tipo de célula é responsável, em teoria, por sinalizar para o organismo e eliminar o câncer. Porém, em cerca de 40% dos pacientes com câncer os monócitos falharam em fazer essa transformação e apresentaram um perfil muito parecido com os macrófagos intratumorais associados a um prognóstico ruim”, conta Ramos.